Novembro 12, 2008...10:08 am

A infância da Terra

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Algumas transformações do mundo são tão sutis, não?

Relendo o meu post anterior, fiquei lembrando do Dudu pequenino. Cabelinhos escuros e lisos, a franja caindo sobre a testa, os quatro dentinhos da frente bem grandes. Hoje, ele trabalha numa empresa grande, tem um cargo de responsabilidade, seu queixo é quadrado e os dentes são corretos. A infância realmente é toda desorganizada, desajeitada e cheia de felicidades repentinas.

Fiquei imaginando se não estaríamos ainda na infância do mundo. Sei que o homem nem sempre andou ereto, que existiram dinossauros e que pessoas eram crucificadas apenas por terem opiniões diferentes. Já hoje, a liberdade de expressão é a grande bandeira da maioria das nações, e estamos em tempos ultramodernos de ipods e computadores que falam. Mas acredito que a violência e a incompreensão apenas mudaram de eixo. Foram projetadas para um lugar mais sutil, mais interior, subjetivo. A ditadura econômica, os salários ridículos, o padrão de beleza da magreza esquelética.

Talvez eu, nem você, nem ninguém aqui tenha tempo de ver a adolescência do mundo. Quem verá a ebulição de hormônios na face da Terra? Que medo.

3 Comentários

  • Imagina o planeta na puberdade estourando espinhas e trancado no banheiro exalando odores suspeitos…

  • Será? Se sim, será que faremos parte das boas lembranças da infância deste mundo, assim como temos as nossas? =0*

  • Pronto! Encontrei mais uma brecha para escapar da (sofrida) rotina de monografia…

    Dilemas acadêmicos à parte, há sempre espaço na minha lista de favoritos. Daqui em diante, a Garota Distraída acaba de ganhar mais um leitor atento.


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