Super-heróis e o bullying

*Artigo elaborado para o jornal A Notícia

 

“Eu preciso da sua ajuda”, me disse a professora. Eu estava visitando uma escola pública em Joinville para tentar animar pré-adolescentes desestimulados com os estudos. E essa professora parecia assustada. Ela continuou: “estamos com um problema grave de bullying. Por quê você não lança um livro sobre isso? Mas algo especial para trabalharmos em sala de aula”.

Pensei: “que bom se eu fosse uma super-heroína para salvar essas turmas desse monstro chamado bullying”. Lembrei-me das humilhações que vivi quando era criança. Portadora do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), tirei muitas notas baixas, não conseguia fazer amizades e era ridicularizada por colegas e professores. Um professor chegou a dizer na frente de meus colegas que eu seria apenas uma “cartazista de supermercado”. Por sorte, meus pais tomaram a sábia decisão de me encaminhar para uma psicóloga. Ela foi minha super-heroína na época, pois me ensinou caminhos para reter os complicados conteúdos do sistema de ensino brasileiro e fortaleceu minha defesa contra colegas e professores que agridem. O tempo passou e revelou que fiz parte da estimativa que aponta que pelo menos 80% dos estudantes sofrem bullying no Brasil. Nem todos tem a sorte de ter um super-herói que os defenda.

A ideia de fazer um livro sobre bullying ficou alojada em algum lugar do meu subconsciente. Algumas semanas depois, esse pensamento surgiu na minha mente como um relâmpago: e se eu produzisse uma história em quadrinhos falando sobre violência escolar? Foi assim que eu e uma equipe de desenhistas arrecadamos 21 mil reais por meio de financiamento coletivo para produzir a história em quadrinhos “A Menina Distraída”, prevista para ganhar as livrarias em outubro deste ano.

O pedido desesperado dessa professora evidencia que o bullying ainda é um problema gravíssimo correndo solto entre os muros escolares. Jovens são excluídos, humilhados, agredidos e difamados por baixo do nariz dos profissionais da educação. Pior do que isso é constatar que a violência escolar é vista como um ritual “normal” entre os jovens. Nossas salas de aula precisam fortalecer valores como paz, tolerância e respeito. A geração que vem por aí precisa desses pilares e apenas nossos professores podem ser os super-heróis.

 

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