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Cidade Amarela

E quando o coração que bate não é necessariamente humano?

Ontem eu andava pelo centro de Joinville, abraçada pelo sol irônico de fim de tarde, quando de repente parei. Olhei para cima e vi: o céu estava pontilhado por nuvens, geralmente como fica quando estamos em um outono mágico. Fiquei encantada com a poesia daquele momento.

É bem comum que o céu traduza, com a linguagem das nuvens, algo que se passa dentro de mim. Conexão com o universo? Pura coincidência? Signo de peixes alinhado com o de leão? Talvez tudo isso. Talvez nada disso.

Então, regida pela humildade da poesia do momento, voltei a baixar os olhos e enxerguei as pessoas ao meu redor, apressadas, ausentes de si, vivendo junto comigo mas dançando de acordo com outro relógio, outra história, outro coração. Em menos de um segundo, passei a enxergar essas pessoas como parte dessa coreografia chamada dia a dia. E esse cenário chamado “Joinville”, essa cidade bipolar, meio amarela e com cheiro de mato, ficou mais atraente para mim.

Continuei andando, devagarinho, com um sorriso pela metade, meio defeituoso pela descoberta. Os olhos, abertos ao extremo, queriam reparar na asa do quero-quero e no sorriso do gari, tudo ao mesmo tempo. Continuei vivendo, devagarinho.

De vez em quando, o mundo me surpreende demais. Fiquei feliz por fazer parte da ciranda dessa cidade, essa cidade que rejeito desde que sou criança. Mas hoje, já adulta, acho que é uma cidade muito poética. Enquanto Joinville é a minha cidade, eu sou uma janela para ela.

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